Fratura por estresse vai além do treino em excesso. Conheça possíveis causas

  • 18 de outubro de 2016
Fisioterapia no tornozelo

A participação feminina nos esportes cresceu enormemente nas últimas décadas. Hoje as mulheres constituem entre 40% a 50% de todos os corredores de rua. Com o aumento do número de praticantes de esportes, especialmente os de endurance de alto volume (maratonas, triatlo, corrida de montanha, etc), as fraturas por estresse têm se tornado lesões cada vez mais comuns, principalmente entre as mulheres.

Quando o indivíduo treina, existe sempre um certo grau de destruição tecidual, que é compensado durante o período regenerativo através da produção de matriz extra-celular. Em outras palavras, durante o repouso, o organismo refaz os tecidos de maneira que se tornem mais fortes, preparando-os cada vez mais para o esporte que o atleta pratica.

Para que este ciclo de destruição/reconstrução seja convertido em ganho de performance, deve haver equilíbrio. Porém, quando existe desequilíbrio, a destruição é maior, e o risco de lesões aumenta.

As fraturas por estresse podem se originar de um aumento muito rápido da intensidade, volume ou mesmo de uma mudança no tipo de treino. Segundo alguns autores, para cada milha que um corredor percorre, mais de 110 toneladas da força devem ser absorvidas pelos pés. Os ossos não são feitos para absorver muita energia, e os músculos agem como absorventes de choque adicionais. Mas, quando os músculos se tornam cansados e param de absorver a maioria da energia, as quantidades mais altas de choque vão para os ossos.

O osso envolvido é submetido a uma carga excessiva sem o devido respeito aos princípios de progressão e repouso. Assim se inicia uma fratura da parte mais interna do osso (trabéculas ósseas), que, se não tratada, pode progredir para uma fratura completa.

O grande desafio ao lidar com uma fratura por estresse está no retorno ao esporte. Infelizmente, mesmo que o treino seja retomado de maneira gradual, ocorre recidiva da lesão, frustrando o atleta e os profissionais da saúde.

A fratura de estresse, na verdade, faz parte de uma síndrome maior provocada pelo overtraining (treino acima dos limites físicos). Fatores como a densidade mineral óssea, níveis hormonais, carências vitamínicas, má alimentação e uso de determinadas medicações estão por trás de uma baixa regeneração tecidual, levando a repetição dessas lesões. Em outras palavras: muitas vezes, o treino não é o “vilão”, e, sim, o metabolismo do atleta. Isso explica por que as mulheres, que fisiologicamente possuem baixo nível de testosterona em relação aos homens, são mais sujeitas a estas lesões.
Sanadas as possíveis alterações metabólicas e funcionais (força e equilíbrio musculares, tipo de pisada), o retorno ao esporte deve ser gradual e multidisciplinar.